O Gigante Adormecido

O vídeo do comercial “O gigante não está mais adormecido”, que a Johnnie Walker produziu em 2011 especialmente para o Brasil, celebra o progresso do país. Uma das inspirações da marca foi o verso “Gigante pela própria natureza”, do Hino Nacional (Joaquim Osório Duque Estrada, 1909). Mas quem conhece a cultura do Rio de Janeiro sabe da história do Gigante de Pedra, eternizado pelo poeta Gonçalves Dias (1823-1864) e por pinturas de artistas estrangeiros que passaram pela Cidade Maravilhosa, sobretudo no século XIX.
► Siga o blog no Facebook

Quando se entra pelo Norte na Baía de Guanabara, é possível apreciar, de longe, uma cadeia de montanhas de aproximadamente 20 quilômetros.

Com boa vontade, o formato lembra o de um “corpo de um homem deitado de costas”. Neste perfil, a cabeça é a Pedra da Gávea (842 metros de altitude) e os pés, o Pão de Açúcar (396 metros).


Junto ao litoral carioca, o “vulto humano” se estende por bairros das zonas Sul e Oeste (Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Urca), como se estivesse protegendo a costa.

No outro lado da Baía de Guanabara é possível apreciar a Serra dos Órgãos, que recebe esse nome devido aos picos que lembram os tubos de órgãos de igreja, incluindo o Dedo de Deus.


E o tom de Teresópolis parece não incomodar um outro gigante neste imenso anfiteatro, como mostra a silhueta do Pico da Tijuca, o ponto mais alto do Parque Nacional da Tijuca (1.021m), e do perfil superior dos seus demais vizinhos na Zona Norte.

Ele está quietinho em seu secular sono de pedra, com o nariz sendo o cume do PNT e o restante do corpo descendo em direção ao Grajaú.

Críticos de plantão aproveitam as formações bizarras para falarem de forma sarcástica que o Brasil está deitado de pernas para o ar.

Outras pessoas ironizam dizendo que que ele prefere ficar em sono profundo a fantasiar sensações, justamente para não sofrer acordado com as injustiças.

Há quem diga que dormiu em berço esplêndido, após perguntar para os céus “o que estão fazendo com o mundo?” e não encontrar respostas.

O pessimismo dos críticos corre na contramão de uma famosa campanha mundial da Johnnie Walker.

Segundo a propaganda, “uma lenda diz que o futuro pertencia ao gigante, mas que ele nunca acordaria e que o futuro seria para ele sempre isso: futuro.

No entanto, com o passar do tempo ficou claro que nem mesmo as lendas devem dizer ‘nunca’… acordou, ergueu-se sobre a terra da qual era parte e ficou de frente para o horizonte”.


Dádiva da natureza e produto da erosão, a estranheza das esculturas é prato cheio para os que acreditam em marcas da presença dos fenícios, obras de extraterrestres ou até mesmo significados esotéricos.

Por falar em lendas, os descobridores do Brasil teriam escutado dos índios uma série delas, entre elas a da batalha travada por Deuses em um planeta distante, com dois irmãos fugindo para a Terra em um pássaro voador.

A dupla foi perseguida por inimigos, em um outro pássaro de fogo, e acabou morrendo na luta ocorrida sobre as águas da Baía de Guanabara.

Em seguida, Deuses os homenagearam com marcas nas montanhas para deixá-los eternamente lembrados.

Segundo a lenda, eles foram enterrados em um local protegido das “maldições e bruxarias” daqueles seres.


No Morro Dois Irmãos, no Leblon, as duas formações rochosas unidas parecem usar mantos.

Já o pássaro seria a sombra no Pão de Açúcar batizada como Íbis, ave sagrada que era criada nos templos e enterrada mumificada junto aos faraós no antigo Egito.

De acordo com a mitologia egípcia, o gigante deitado com uma Íbis acorrentada aos pés só vai se levantar, indicando os destinos da humanidade, no dia em que a ave se livrar das amarras e voar.

Anúncios